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17 de Janeiro de 2006

Artigo - Papel x Digital

Angelo Volpi Neto
Tabelião e Escritor

Segundo nos conta a história, o papel tem aproximadamente 5000 anos, tendo prestado neste tempo todo, incalculáveis benefícios ao homem. Quando pensamos em documentos, a primeira coisa que nos vem à cabeça são os papéis. Diante do avanço da informática estariam eles fadados a desaparecer? Muitos já fizeram essa pergunta, que parece simples, mas significa muito para vários segmentos da sociedade.

No âmbito da imprensa escrita, os jornais foram os que mais se aplicaram na migração de mídia, e vimos mensalmente suas versões eletrônicas serem cada vez mais acessadas. O maior inconveniente do documento digital, no momento é sua portabilidade e acessibilidade, isso significa que ainda não podemos lê-los sem um computador, mas não durará muito tempo, pois já existem pequenos aparelhos que se assemelham a um livro, com uma tela muito fina e leve, que nos propiciará ler com conforto, como se tivéssemos um livro comum em nossas mãos.

A verdadeira revolução se opera no quesito documento, ou seja, toda a burocracia que representa o transporte de um documento para coleta de assinaturas, seu custo de arquivamento e conservação. Vejamos o exemplo da Comissão de valores mobiliários dos EUA, que apresentou uma proposta para que as empresas possam optar por fornecer aos acionistas por documento eletrônico, os documentos necessários para serem analisados antes das assembléias das companhias.

Atualmente, as empresas precisam enviar por correio, os volumosos relatórios com balanços, listas de membros votantes, etc. Estima-se que essa simples alteração legal irá produzir uma economia de U$ 1 bilhão de dólares ao ano, que é o custo de impressão e envio desses papéis, ou seja, cerca de U$ 5 para cada acionista. Porém, a economia na migração do papel para o digital, não está somente nos custos de transporte e impressão, os custos de arquivamento e conservação de documentos em papel são altíssimos.

Como sabemos, o papel está sujeito à deterioração pelo simples decorrer do tempo, e deve ser protegido do fogo, água e vermes. Mas não são somente esses os custos, sua acessibilidade depende de mão de obra, cada um que pretenda ter conhecimento daquele conteúdo deverá dirigir-se ao arquivo, que por sua vez deve ter um funcionário responsável pelo controle do protocolo.

Os documentos eletrônicos possuem, entre suas maiores vantagens, a possibilidade de serem acessados de qualquer lugar do mundo onde haja um computador ligado na internet, independentemente do trabalho direto de outra pessoa. Para não falar somente de suas vantagens, os documentos eletrônicos dependem de programas e renovação de mídia para que possam ser lidos durante o decorrer dos anos. Mas esse custo é infinitamente menor do que a manutenção de arquivos em papel, lembrando que o documento em papel só tem um original, o resto é cópia.

Como podemos notar, tudo indica que a substituição pelo menos relativa a documentos é altamente vantajosa. Um simples reflexo do uso de documentos em papel é o alarmante tráfego dos chamados "motoboys", que juntamente com os carteiros deverão reduzir-se ao mínimo quando a migração estiver consolidada. Quem viver verá.


Fonte: Página da Anoreg-SP