Notícias
Arpen-SP acompanha posse solene da nova gestão do Tribunal de Justiça de São Paulo
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) realizou, nesta sexta-feira
(6), a posse solene do Conselho Superior da Magistratura (CSM), da diretoria da
Escola Paulista da Magistratura (EPM) e da Ouvidoria, eleitos para o biênio
2026/2027. A cerimônia ocorreu no Salão dos Passos Perdidos do Palácio da
Justiça, na Praça da Sé, reunindo representantes dos três Poderes, integrantes
do sistema de Justiça e autoridades convidadas. A cerimônia contou também com a
presença do Governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do
presidente e vice-presidente do STF, Ministro Edson Fachin e Ministro Alexandre
de Moraes.
À frente da nova gestão, o desembargador Francisco Eduardo
Loureiro assumiu a Presidência do Judiciário paulista apresentando uma agenda
voltada ao enfrentamento do crime organizado, ao combate à violência de gênero
e à modernização da prestação jurisdicional, com destaque para o uso
responsável de tecnologias e inteligência artificial como apoio à atividade
jurisdicional.
Durante o discurso de posse, Loureiro ressaltou que a
especialização da Justiça é um dos caminhos para ampliar a eficiência e a
qualidade das decisões, especialmente em matérias de alta complexidade. Segundo
ele, o Tribunal seguirá a experiência bem-sucedida das varas e câmaras
especializadas e avançará, na área criminal, com a criação de varas voltadas ao
enfrentamento de organizações criminosas, com competência acumulativa para todo
o Estado. “Esse combate envolve causas complexas e estruturas sofisticadas, que
não podem mais ser decididas por juízes assoberbados com milhares de processos
comuns”, afirmou.
O presidente destacou ainda que a especialização também tem
como objetivo proteger magistrados e servidores que atuam em temas sensíveis.
“O enfrentamento ao crime organizado envolve, igualmente, a segurança de quem
julga e trabalha nessas estruturas”, disse, ao ressaltar a convergência de
esforços entre o TJSP e o Conselho Nacional de Justiça nessa agenda
institucional.
Outro eixo central da nova gestão será o fortalecimento da
atuação do Judiciário no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra
a mulher. Loureiro enfatizou que a ampliação das varas especializadas dará
continuidade às ações já iniciadas em gestões anteriores e respondeu a uma
demanda social crescente. “Trata-se de combater uma verdadeira chaga social,
que exige atenção permanente do Poder Judiciário”, afirmou.
Inovação tecnológica e qualidade decisória
No campo da inovação, o presidente do TJSP reforçou o
compromisso com a transformação digital, incluindo a substituição do sistema
informatizado pelo eproc e a adoção de ferramentas de inteligência artificial
como suporte ao julgamento de processos. Segundo Loureiro, a tecnologia deve
ser utilizada para ampliar a eficiência sem comprometer a independência
judicial. “A inovação tecnológica pode e deve ser usada para aumentar a
agilidade do julgamento, desde que respeitados os limites éticos regulamentados
pelo CNJ e a independência decisória do juiz”, pontuou.
Ele explicou que o uso de soluções tecnológicas tem uma
finalidade clara: reduzir a pressão produtivista e liberar magistrados das
tarefas repetitivas e mecânicas. “O emprego da tecnologia serve para abrir
espaço à qualidade decisória, permitindo ao juiz tempo para aquilo que
realmente importa: colher a prova, ler os autos, ponderar e decidir”, afirmou.
Confiança pública e fortalecimento institucional
Ao abordar o papel do Judiciário nas democracias
contemporâneas, Loureiro destacou que a legitimidade da magistratura está
diretamente ligada à confiança da sociedade. “Em todas as democracias, é a
confiança do público na independência das cortes, na integridade de seus
membros e na imparcialidade e eficiência do processo que sustenta o sistema”,
declarou.
O presidente também ressaltou que as garantias da
magistratura não são privilégios individuais, mas instrumentos essenciais para
assegurar julgamentos justos às partes. “As garantias do juiz são, sobretudo,
garantias das partes. Sem uma magistratura forte, independente e imparcial, não
há democracia”, afirmou.
Encerrando o discurso, Loureiro citou uma frase do jornalista
e jurista italiano, Piero Calamandrei, reforçando o compromisso ético da nova
gestão: “Para encontrar justiça, é preciso ser fiel a ela. Como todas as
divindades, a Justiça só se manifesta a quem nela confia”.
A cerimônia também contou com o lançamento da 3ª edição do
livro Aberturas dos Anos Judiciários do Tribunal de Justiça do Estado de São
Paulo, com discursos oficiais de 1961 a 2025.
Maior tribunal do mundo em volume processual, o TJSP
administra atualmente cerca de 17,1 milhões de processos em andamento, com
atuação de 358 desembargadores, 2,3 mil juízes e mais de 41 mil servidores
distribuídos em 320 comarcas em todo o Estado de São Paulo.
Nova composição
Conselho Superior da Magistratura – desembargadores Francisco
Eduardo Loureiro (presidente); Luís Francisco Aguilar Cortez (vice-presidente);
Silvia Rocha (corregedora-geral da Justiça); José Carlos Gonçalves Xavier de
Aquino (decano); Roberto Nussinkis Mac Cracken (presidente da Seção de
Direito Privado); Luciana Almeida Prado Bresciani (presidente da Seção de
Direito Público); e Roberto Caruso Costabile e Solimene (Presidente da Seção de
Direito Criminal).
Diretoria
da EPM – desembargadores Ricardo Cunha Chimenti (diretor), João
Batista Amorim de Vilhena Nunes (vice-diretor); Marco Fábio Morsello e
Alexandre David Malfatti (Seção de Direito Privado); Walter Rocha Barone e
Tania Mara Ahualli (Seção de Direito Público); Maria de Lourdes Rachid Vaz de
Almeida e Luiz Fernando Vaggione (Seção de Direito Criminal); e juiz Ricardo
Dal Pizzol.
Ouvidoria
– desembargadores Rosangela Maria Telles e Marcelo Lopes Theodosio.
Por: Eduardo Carrasco, Assessoria de Comunicação Arpen-SP