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11 de Agosto de 2008
Vontade de ajudar leva as pessoas a fazerem doação do corpo, após as suas mortes
O consultor de empresas Leônidas Angeli dos Reis, 57 anos, interrompe a conversa pelo telefone para questionar o filho: "Vem cá, você ia achar ruim se quando eu morresse levassem meu corpo direto para a faculdade, sem velório?" O rapaz dá a resposta que Leônidas queria ouvir: "Absolutamente não".
Dito isso, assim, parece que Reis tomou uma decisão repentina, ao ler o noticiário sobre a falta de cadáveres para estudo nas escolas de Medicina. Não é o caso. O consultor de empresa pensa em doar seu cadáver há cerca de 20 anos. Formalizou o pedido em cartório em 2002 e já passou todas as orientações para sua família. "Quero ajudar de alguma maneira. Depois de morto, podem levar e usar meu corpo, esse aqui, da melhor maneira possível", diz.
Apesar de todo seu empenho, Reis ainda não está tranqüilo sobre seu desejo. "Gostaria de ter uma declaração da Universidade Federal do Paraná (UFPR) dizendo que se responsabiliza pelo cadáver. Não quero que minha família fique se preocupando com isso. As universidades querem os cadáveres, mas deviam se organizar para atrair os doadores."
A situação de Reis mostra a distância entre as intenções de quem quer ajudar e a chegada do cadáver nos laboratórios de anatomia.
Registrar a doação sai caro. Com algumas exceções, a maioria dos cartórios cobra até R$ 80 pelo registro de doação do corpo, conforme revelou matéria da Gazeta do Povo, no dia 24 de julho. A Lei 8.501, que regula o uso de corpos para fins científicos também prevê que a família pode, a qualquer momento, reclamar o corpo, mesmo que a pessoa tenha registrado a opção pela doação em vida. Por fim, existe a preocupação dos procedimentos pós-morte, como o transporte do corpo.
Segundo o presidente da Comissão de Distribuição de Corpos para Estudo e Pesquisa e chefe do Departamento de Anatomia da UFPR, José Geraldo Calomeno, em breve, pelo menos parte desses problemas deve ser amenizada no Paraná. Há estudos para que a Comissão, hoje uma entidade não-oficial, vire um Conselho Estadual, um órgão oficial, subordinado à Secretaria de Ciência e Tecnologia, apto a gerenciar as doações e os cadáveres não-reclamados no Instituto Médico-Legal (IML). "Já houve uma conversa preliminar com as faculdades e a direção do IML", diz Calomeno. Segundo ele, a oficialização do Conselho facilitaria entraves burocráticos e popularizaria a questão dos cadáveres para estudo. "Com isso, teríamos um melhor controle sobre os corpos não-reclamados e acredito, um aumento no número de doações."
Providências - Veja os passos necessários para doar o corpo para alguma instituição de ensino:
Cartórios: É preciso fazer o registro em cartório. Entre em contato antes de oficializar a doação. Alguns fazem o serviço gratuitamente, outros cobram até R$ 80 pelo documento;
Família: Converse e alerte sua família. A atual legislação determina que, mesmo com a vontade do doador expressa em vida, a família pode requerer o corpo;
Universidade: Procure a universidade para a qual você pretende doar o corpo. Atualmente há uma Comissão Estadual de Distribuição de Corpos para Estudo e Pesquisa. O contato pode ser feito pelo telefone (41)3361-1775.
A decisão só não é tranqüila em relação ao trabalho que os familiares podem ter após a morte. O Estado do Paraná estuda a criação de Órgão Oficial para cuidar das doações.
Fonte: Veículo: Gazeta do Povo - Vida e Cidadania
Dito isso, assim, parece que Reis tomou uma decisão repentina, ao ler o noticiário sobre a falta de cadáveres para estudo nas escolas de Medicina. Não é o caso. O consultor de empresa pensa em doar seu cadáver há cerca de 20 anos. Formalizou o pedido em cartório em 2002 e já passou todas as orientações para sua família. "Quero ajudar de alguma maneira. Depois de morto, podem levar e usar meu corpo, esse aqui, da melhor maneira possível", diz.
Apesar de todo seu empenho, Reis ainda não está tranqüilo sobre seu desejo. "Gostaria de ter uma declaração da Universidade Federal do Paraná (UFPR) dizendo que se responsabiliza pelo cadáver. Não quero que minha família fique se preocupando com isso. As universidades querem os cadáveres, mas deviam se organizar para atrair os doadores."
A situação de Reis mostra a distância entre as intenções de quem quer ajudar e a chegada do cadáver nos laboratórios de anatomia.
Registrar a doação sai caro. Com algumas exceções, a maioria dos cartórios cobra até R$ 80 pelo registro de doação do corpo, conforme revelou matéria da Gazeta do Povo, no dia 24 de julho. A Lei 8.501, que regula o uso de corpos para fins científicos também prevê que a família pode, a qualquer momento, reclamar o corpo, mesmo que a pessoa tenha registrado a opção pela doação em vida. Por fim, existe a preocupação dos procedimentos pós-morte, como o transporte do corpo.
Segundo o presidente da Comissão de Distribuição de Corpos para Estudo e Pesquisa e chefe do Departamento de Anatomia da UFPR, José Geraldo Calomeno, em breve, pelo menos parte desses problemas deve ser amenizada no Paraná. Há estudos para que a Comissão, hoje uma entidade não-oficial, vire um Conselho Estadual, um órgão oficial, subordinado à Secretaria de Ciência e Tecnologia, apto a gerenciar as doações e os cadáveres não-reclamados no Instituto Médico-Legal (IML). "Já houve uma conversa preliminar com as faculdades e a direção do IML", diz Calomeno. Segundo ele, a oficialização do Conselho facilitaria entraves burocráticos e popularizaria a questão dos cadáveres para estudo. "Com isso, teríamos um melhor controle sobre os corpos não-reclamados e acredito, um aumento no número de doações."
Providências - Veja os passos necessários para doar o corpo para alguma instituição de ensino:
Cartórios: É preciso fazer o registro em cartório. Entre em contato antes de oficializar a doação. Alguns fazem o serviço gratuitamente, outros cobram até R$ 80 pelo documento;
Família: Converse e alerte sua família. A atual legislação determina que, mesmo com a vontade do doador expressa em vida, a família pode requerer o corpo;
Universidade: Procure a universidade para a qual você pretende doar o corpo. Atualmente há uma Comissão Estadual de Distribuição de Corpos para Estudo e Pesquisa. O contato pode ser feito pelo telefone (41)3361-1775.
A decisão só não é tranqüila em relação ao trabalho que os familiares podem ter após a morte. O Estado do Paraná estuda a criação de Órgão Oficial para cuidar das doações.
Fonte: Veículo: Gazeta do Povo - Vida e Cidadania