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Abandono afetivo, inteligência artificial e Reforma do Código Civil: dez tendências no Direito das Famílias e Sucessões para 2026
O Direito das Famílias e
Sucessões é um dos ramos mais dinâmicos do ordenamento jurídico. A cada novo
ano, mudanças sociais, transformações tecnológicas e movimentos institucionais
desafiam conceitos consolidados e exigem novas leituras sobre questões que
impactam todas as famílias.
Em 2026, debates que
ganharam espaço nos últimos meses tendem a se intensificar, como o
reconhecimento do abandono afetivo, os impactos do Direito Digital nas relações
familiares, o avanço da inteligência artificial na rotina da advocacia, além
das discussões em torno da Reforma do Código Civil e da consolidação de
protocolos do Conselho Nacional de Justiça – CNJ.
Atento a esse cenário, o
Instituto Brasileiro de Direito das Famílias e Sucessões – IBDFAM reúne, a
seguir, as dez principais tendências que devem marcar o Direito das Famílias e
Sucessões e influenciar a atuação de profissionais, instituições e tribunais
neste ano.
Confira:
Abandono afetivo
Recentemente, foi sancionada a Lei 15.240/2025, que reconhece o
abandono afetivo de crianças e adolescentes como ato ilícito civil, passível de
indenização. A norma consolida entendimento já firmado pela jurisprudência e
reforça que afeto e cuidado integram as obrigações parentais, como analisa a jurista
Maria Berenice Dias, vice-presidente do IBDFAM, no artigo “O dever de assistência afetiva”,
publicado no portal do Instituto.
Direito Digital
O avanço da tecnologia tem remodelado as relações familiares. A comunicação
entre familiares, os regimes de convivência e as questões sucessórias que
envolvem patrimônio digital passaram a exigir do Judiciário soluções que
conciliem inovação, direitos fundamentais e o melhor interesse das pessoas
envolvidas. Nesse cenário, ganham destaque os desafios relacionados à proteção
de crianças e adolescentes no meio digital, tema que tende a avançar com a
sanção do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o chamado ECA
Digital, que impõe aos provedores de serviços
digitais obrigações como a vinculação de perfis a responsáveis legais e a
remoção de conteúdos abusivos.
Reforma Código Civil
Em 2025, a reforma do Código Civil avançou com a apresentação do Projeto de Lei 4/2025 no
Senado e o início de sua tramitação em comissão temporária, marcada por
audiências públicas e debates sobre a atualização de conceitos e a incorporação
de temas contemporâneos, como Direito Digital, inteligência artificial e
mudanças no Direito das Famílias. Para 2026, a expectativa é a conclusão do
relatório da comissão previsto até março e a votação do texto no Senado ao
longo do primeiro semestre, etapa decisiva do processo legislativo.
Protocolos do CNJ
A consolidação de protocolos pelo CNJ tem fortalecido a uniformização de
práticas e a proteção de direitos no Judiciário, especialmente em áreas como
violência doméstica, gênero, infância e prevenção da violência institucional.
Especialistas defendem que os protocolos contribuem para uma atuação
qualificada, preventiva e humanizada, reduzindo desigualdades entre tribunais e
dando maior previsibilidade às decisões. Esse movimento sinaliza uma tendência
de ampliação dessas diretrizes, com o desenvolvimento de novos protocolos
capazes de responder aos desafios contemporâneos e reforçar o compromisso do
Judiciário com os direitos fundamentais.
Inteligência artificial
O uso da Inteligência Artificial – IA tem ampliado a eficiência da advocacia ao
agilizar tarefas como pesquisa, análise de dados e elaboração de peças. No
Direito das Famílias e Sucessões, área marcada por vínculos afetivos,
vulnerabilidades e direitos fundamentais, a aplicação da IA exige atenção
redobrada, com uso responsável da tecnologia, preservação da confidencialidade
e valorização da escuta qualificada das partes. Ainda assim, a IA será a
principal aliada do IBDFAM no projeto que busca aprimorar a pesquisa de
sentenças no banco de jurisprudência exclusivo para associadas e
associados, que será lançado em breve.
Enfrentamento ao
feminicídio e à violência contra as mulheres
Dados do Anuário
Brasileiro de Segurança Pública mostram que 1.467 mulheres foram vítimas de
feminicídio em 2023, o maior número desde a criação da Lei do Feminicídio, e
indicam agravamento do cenário nos anos seguintes, com aumento de 26% nas
tentativas em 2024 e mais de 2,7 mil tentativas e 1.075 mortes entre janeiro e
setembro de 2025. Os números evidenciam a urgência de ações mais efetivas de
prevenção, proteção e responsabilização. A professora Adélia Moreira Pessoa,
presidente da Comissão Nacional de Gênero e Violência Doméstica do IBDFAM,
afirma que o enfrentamento precisa ir além das leis e campanhas,
com investimento em políticas públicas integradas e ações educativas capazes de
transformar padrões culturais patriarcais que sustentam a violência.
Enunciados do IBDFAM
Apresentados em 2025, durante o XV Congresso Brasileiro, os
10 novos Enunciados do IBDFAM oferecem diretrizes
interpretativas alinhadas às transformações sociais, tecnológicas e jurídicas
do Direito das Famílias e Sucessões. A expectativa é que eles passem a ser
utilizados como referência em decisões judiciais, peças processuais e debates
acadêmicos ao longo de 2026, e contribuam para a consolidação de entendimentos
e para o aprimoramento da área no Brasil e também no cenário internacional.
Plano de Exercício da
Coparentalidade
A coparentalidade é uma tendência central do Direito das Famílias em 2026,
especialmente com a difusão do Plano de Exercício da Coparentalidade,
instrumento que organiza a convivência familiar e equilibra responsabilidades
parentais, reduzindo conflitos e priorizando o melhor interesse da criança. O
plano representa uma abordagem preventiva e interdisciplinar, alinhada a um
modelo de justiça mais humanizado e eficiente.
Expansão da
Extrajudicialização
A extrajudicialização permanece como uma das principais tendências para 2026,
impulsionada pela previsão expressa no projeto de reforma do Código Civil. Esse
movimento fortalece a autonomia privada, promove a desjudicialização de
conflitos familiares e contribui para um sistema jurídico mais eficiente, sem
abrir mão da segurança jurídica.
Crescente Relevância do
Planejamento Sucessório
O planejamento sucessório afirma-se como tendência essencial no Direito das
Sucessões em 2026, principalmente depois da vigência da reforma tributária e
diante do aumento da complexidade patrimonial, da longevidade da população e
das transformações nas estruturas familiares. Instrumentos como testamentos,
doações em vida, holdings familiares, pactos sucessórios e seguros de vida têm
sido cada vez mais utilizados para prevenir litígios, reduzir custos e assegurar
a vontade do titular do patrimônio.
Fonte: IBDFAM