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Brasil melhorou quanto à previsibilidade, mas precisa trabalhar desjudicialização, diz Gilmar
Empresários, políticos e membros do Poder Judiciário
se reuniram nesta segunda-feira (25/8) em São Paulo para falar do futuro do
país. A questão da segurança jurídica permeou todos os debates durante o II
Seminário Brasil Hoje, promovido pelo Esfera Brasil.
O decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar
Mendes, disse que o país já melhorou muito em relação à previsibilidade,
mas “temos de trabalhar a desjudicialização”. No painel “Brasil em
Perspectiva”, citou o caso do STF, que conseguiu reduzir o seu acervo graças a
julgamentos com repercussão geral e de controle concentrado, que devem ser
seguidos por todo o Judiciário e também na esfera administrativa. Em 2006,
havia 150 mil casos em tramitação na corte. Em 2025, pouco mais de 21 mil
ações.
Em toda a Justiça brasileira, no entanto, tramitam
hoje quase 80 milhões de processos, de acordo com dados do DataJud, painel de
estatísticas do Conselho Nacional de Justiça.
Judicialização deve vir por último
Um dos problemas, segundo o ministro, é que as
decisões do STF nem sempre são acolhidas. Mendes citou o tema da pejotização:
“Temos desacertos no ambiente da Justiça do Trabalho, mas estamos aprofundando
o diálogo e melhorando a relação”. Questões de saúde, em sua opinião, teriam de
ser tratadas administrativamente. A judicialização deveria vir por último. “Com
isso, vamos aumentar a segurança jurídica. Mas deve haver um concerto entre
tribunais para que não tenhamos tantas decisões divergentes e tantas perplexidades.”
Gilmar Mendes espera questionamentos sobre a reforma
tributária, primeiro sobre a emenda constitucional e depois sobre a legislação
regulamentadora. A saída, disse, é que as decisões sejam tomadas com rapidez,
para evitar traumas. A modulação dos efeitos das decisões foi citada como uma
forma de reduzir seus impactos, para o contribuinte ou para o Estado.
Cesar Asfor Rocha,
advogado e ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça, disse que a
previsibilidade e regras claras são as coisas mais importantes para os negócios
e para atrair investimentos para o país. Inclusive, o respeito aos precedentes
judiciais. “Os precedentes podem mudar quando a sociedade o exige, mas essas
mudanças não podem ser frequentes”, afirmou durante o painel O Brasil hoje:
oportunidades de um país em transformação.
Também falou sobre a necessidade de decisões judiciais
mais ágeis. Mas, diante dos milhões de processos em andamento no país, sugeriu
que a melhor saída hoje é investir em soluções alternativas, como a mediação e
a arbitragem. Neste último caso, ponderou a necessidade de correções de seus
rumos para garantir mais credibilidade e evitar que, depois, sejam levadas ao
Judiciário.
Fonte: Conjur