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Casamento tradicional no civil e religioso cresce entre os mais velhos em SP
Segundo a Fundação Seade, nos últimos anos
os mais jovens têm optado cada vez mais pela união informal
O casamento tradicional,
aquele feito no civil e no religioso, está ficando cada vez mais restrito às
pessoas mais velhas. As novas gerações vêm optando majoritariamente por uniões
consensuais, sem formalização oficial, com um avanço de mais de 18% entre 2010
e 2022, como mostra um levantamento feito pela Fundação Seade, baseado nos
dados mais recentes do Censo Demográfico de
2022.
Os números revelam que há
hoje uma mudança silenciosa, porém estrutural, nos padrões de relacionamento no
Estado de São Paulo.
A análise também indica
uma leve redução dos casamentos celebrados simultaneamente no civil e no
religioso na última década. Em contrapartida, cresceu o número de uniões
formalizadas apenas no civil e, principalmente, das uniões consensuais, que. O
dado reforça a consolidação social desse tipo de arranjo, cada vez mais aceito
e difundido, sobretudo entre os mais jovens.
A união consensual, vale
lembrar, é caracterizada pela convivência estável entre duas pessoas que se
apresentam socialmente como casal, mas sem registro de casamento civil.
Idade define o vínculo
No recorte por faixa
etária, o contraste é claro. Entre os homens mais jovens, especialmente entre
20 e 29 anos, a união consensual é o tipo de relacionamento predominante. Até
os 39 anos, esse modelo supera as demais formas de união, com mais da metade dos
homens nessa faixa etária vivendo em relações não formalizadas.
Entre as mulheres, o
cenário é semelhante, mas com nuances importantes. O casamento civil e
religioso segue como a forma predominante na maioria das faixas etárias
femininas, sobretudo entre 35 e 59 anos, com pico no grupo de 40 a 44 anos.
Já as mulheres que
declararam viver em união consensual representam 31,5% do total e, dentro desse
grupo, cerca de 80% têm menos de 50 anos. A concentração é maior entre 25 e 34
anos, faixa em que a informalidade se mostra mais alinhada ao momento de vida e
às escolhas individuais.
Escolaridade influencia
O grau de instrução
aparece como outro fator relevante, segundo a Fundação Seade. O casamento civil
e religioso é predominante em praticamente todos os níveis educacionais, com
maior peso entre pessoas com escolaridade mais elevada. Já as uniões consensuais
são mais frequentes entre indivíduos com ensino fundamental completo e médio
incompleto, indicando que fatores socioeconômicos também influenciam o tipo de
formalização escolhida.
Os casamentos realizados
exclusivamente no civil apresentam participação intermediária e relativamente
homogênea entre os diferentes níveis de instrução, enquanto os vínculos apenas
religiosos seguem com baixa representatividade em todos os recortes. Esses
padrões se repetem de forma semelhante entre homens e mulheres.
Mudança de comportamento
Os dados revelam uma
transformação da sociedade paulista, com novos arranjos familiares, cujas
implicações vão além da esfera privada, de acordo com a Fundação Seade, uma
referência nacional na produção de estatísticas socioeconômicas e demográficas.
O avanço das uniões
consensuais dialoga com mudanças culturais, maior autonomia individual e novas
formas de organização da vida a dois. Já a concentração do casamento civil e
religioso entre faixas etárias mais elevadas sugere que a formalização continua
sendo uma escolha associada à estabilidade, patrimônio e planejamento de longo
prazo.
Fonte: InfoMoney