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CNJ avança na construção de diretrizes do programa para autores de violência doméstica
A
construção das diretrizes nacionais para orientar os grupos voltados a homens
autores de violência doméstica vem avançando no Conselho Nacional de Justiça
(CNJ). O Grupo de Trabalho do CNJ que trata dos Grupos Reflexivos e
Responsabilizantes vem se reunindo para consolidar o programa destinado a
homens que cometeram crimes contra mulheres.
Os
Grupos Reflexivos são uma estratégia de enfrentamento à violência contra a
mulher, com foco nos autores dessa prática. O objetivo é proporcionar espaços
de escuta e reflexão para a responsabilização e mudança de comportamento do
agressor, evitando a reincidência na prática violenta e indo muito além do
aspecto punitivo.
A
criação dos grupos reflexivos atende à Recomendação CNJ n. 124/2022, que
determina aos tribunais a criação e a manutenção de programas voltados à
reflexão e à responsabilização de agressores de violência doméstica e familiar.
Tudo deve ser alinhado à Lei Maria da Penha, que prevê o comparecimento do
agressor a programas de recuperação e reeducação com acompanhamento
psicossocial, seja por atendimento individual ou em grupo de apoio.
O
GT do CNJ, intitulado Grupos Reflexivos e Responsabilizantes de Homens Autores
de Violência Doméstica e Familiar contra as Mulheres (GRHAV), acompanha a
evolução de grupos que já atuam nos mesmos moldes pelo país.
A
partir das duas reuniões realizadas no mês de janeiro, o grupo de trabalho do
CNJ foi organizado em três eixos — (1) Elaboração do Manual, (2) Construção do
Ato Normativo e (3) Atualização do Mapeamento — que orientam todas as etapas da
produção técnica. Cada eixo terá a coordenação de um integrante: o manual
ficará a cargo do desembargador Álvaro Kalix Ferro, do Tribunal de Justiça de
Rondônia (TJRO); o Ato Normativo, da juíza Naiara Bracher, do Tribunal de
Justiça de Santa Catarina (TJSC); e o Mapeamento, do juiz Marcelo Gonçalves de
Paula, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
De
acordo com a juíza auxiliar da presidência do CNJ e integrante do GT, Suzana
Massako, o grupo está na fase de sistematização e início da produção técnica
dos eixos. “Os subgrupos analisam documentos — incluindo materiais compilados e
contribuições enviadas ao repositório — para construir as primeiras versões do
manual, da proposta normativa e do plano de atualização do mapeamento”,
explicou.
Mapeamento
Para
subsidiar essa etapa, o grupo tem se apoiado em levantamentos que retratam a
evolução dos programas no país. Entre os dados analisados, estão dois
mapeamentos, produzidos em 2020 e 2023, que foram realizados pelo Colégio de
Coordenadores da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder
Judiciário Brasileiro (Cocevid) e pelo Grupo Margens/UFSC, com participação das
coordenadorias da mulher dos tribunais estaduais.
O
mapeamento de 2020 identificou e descreveu as iniciativas existentes,
apresentando recomendações e diretrizes mínimas para sua qualificação. Já o
levantamento de 2023 atualizou e aprofundou o diagnóstico, com ênfase no
crescimento, na institucionalização e na efetividade das ações. Os dados
mostram uma expansão significativa: de 312 iniciativas registradas em 2020 para
498 em 2023, em todo o país.
A
juíza Suzana esclareceu que o GT utiliza um conjunto amplo de materiais
reunidos no repositório, como projetos, normativas, fluxos, instrumentos,
relatórios e experiências locais. Os trabalhos, já iniciados, terão duração de
120 dias, prorrogáveis por igual período, e serão desenvolvidos por meio de
reuniões e de atividades técnicas.
A
expectativa, conforme esclarece a magistrada, é que ao final dos trabalhos
possa haver a entrega de um conjunto estruturado de produtos que possibilite a
consolidação de diretrizes nacionais e contribua para fortalecer uma atuação
institucional consistente, articulada e monitorável.
GT
do CNJ
Instituído
pela Portaria n. 465/2025, o grupo tem por objetivo elaborar diretrizes
nacionais para os Grupos Reflexivos e Responsabilizantes de Homens Autores de
Violência Doméstica e Familiar contra as Mulheres (GRHAV), definindo seu
funcionamento em todo o país e orientando ações voltadas à responsabilização e
à mudança de comportamento de homens que cometeram violência doméstica.
O
grupo está inserido no contexto da Política Judiciária de Enfrentamento da
Violência Doméstica e Familiar contra as Mulheres, e reafirma o compromisso do
Poder Judiciário com a aplicação integral da Lei Maria da Penha. A força-tarefa
parte do entendimento de que a atuação judicial deve oferecer respostas
coordenadas, qualificadas e passíveis de acompanhamento, que unam proteção,
responsabilização e prevenção.
Entre
as diretrizes que devem ser observadas pelo GT, estão princípios como a
promoção da igualdade de gênero, a proteção das mulheres, a prevenção da
revitimização, a abordagem interdisciplinar e interseccional, a articulação com
a rede de atendimento e o uso de evidências e indicadores para embasar as
ações.
A
atenção a essa pauta foi reforçada no plano de gestão do CNJ para o biênio
2025–2027, que tem no enfrentamento ao feminicídio e à violência doméstica e
familiar contra a mulher um dos eixos de atuação do Conselho.
Fonte: CNJ