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Com o tema "Uma Amazônia de Pessoas", abertura oficial do CONARCI 2026 enaltece o Registro Civil como pilar da cidadania no Brasil
Pela primeira vez na região Norte, o Congresso Nacional
reuniu ministros, magistrados e registradores em Belém (PA) para debater o
combate ao sub-registro, a sustentabilidade da atividade e a presença do
cartório onde o Estado não alcança
Belém (PA), agosto de 2026 — O resgate da dignidade
humana, o combate à invisibilidade social e os desafios geográficos de garantir
cidadania em um país de dimensões continentais deram o tom da cerimônia de
abertura do CONARCI 2026 – XXXII Congresso Nacional de Registro Civil das
Pessoas Naturais. O evento histórico, realizado na Estação das Docas, em Belém
(PA), marcou a primeira vez que a região Norte sediou o maior encontro da
classe registral brasileira.
Declarado oficialmente aberto pelo presidente da Arpen-Brasil,
Devanir Garcia, o congresso reuniu uma mesa de honra com autoridades de peso,
incluindo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, o
presidente do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), desembargador Roberto
Gonçalves de Moura, e a corregedora-geral do TJPA, desembargadora Maria Elvina
Gemaque Taveira, além de lideranças institucionais do setor extrajudicial.
A Amazônia e a concretização da cidadania
O ineditismo de sediar o CONARCI na capital paraense foi
celebrado pelo presidente da Arpen/PA, Conrrado Rezende. Em seu discurso, ele
destacou a verdadeira missão exercida pelos registradores que atuam nas áreas
mais remotas do país.
“Estamos na Amazônia, uma terra em que as distâncias não se
medem apenas por quilômetros, mas também por rios, estradas e horas de viagem.
O registrador civil está onde o Brasil está. Muitas vezes, ele está naquele
lugar em que todos os serviços públicos já terminaram, mas a porta do cartório
continua aberta. A cidadania começa no registro e no nome; é o registrador que
escreve essa primeira linha da história de cada brasileiro”, afirmou Conrrado.
A corregedora-geral do TJPA, desembargadora Maria Elvina
Taveira, endossou a fala do anfitrião, conectando o tema do congresso,
"Uma Amazônia de Pessoas", com o compromisso constitucional do
combate ao sub-registro. “Poucos lugares no país traduzem com tanta força o que
significa existir juridicamente. O registro civil não é mera formalidade
cartorária, é o primeiro ato jurídico da existência do ser humano. Cada nome
registrado é uma história que passa a ser contada pelo Estado brasileiro. Cada
omissão registral é uma história que segue silenciada”, cravou a magistrada.
Sustentabilidade e o custo da gratuidade
Em nome da Anoreg/PA e da Anoreg/BR, a presidente Moema
Locatelli Belluzzo fez uma defesa contundente da sustentabilidade financeira
dos cartórios. Ela lembrou que o Registro Civil é o braço forte do Estado na
execução de políticas públicas, mas que a classe opera sob um modelo de gestão
privada, absorvendo os custos de operações complexas.
“É o registrador civil que transforma cidadania abstrata em
cidadania concreta. Porém, a gratuidade para o cidadão não significa ausência
de custo para a prestação do serviço. Por trás de cada certidão emitida, existe
um árduo trabalho técnico, responsabilidade jurídica, mão de obra qualificada e
estrutura. Se queremos um registro civil forte e parceiro do Estado, precisamos
assegurar mecanismos adequados de remuneração e o fortalecimento do Fundo de
Apoio ao Registro Civil”, alertou Moema, reafirmando o compromisso da Anoreg na
defesa irrestrita das prerrogativas da classe.
Tecnologia e acesso à Justiça
O presidente do Operador Nacional do Registro Civil
(ON-RCPN), Luis Carlos Vendramin Júnior, aproveitou a tribuna para reforçar o
papel da tecnologia como vetor de igualdade. Para ele, a missão do Operador é
garantir que o oficial do interior da Amazônia tenha as mesmas ferramentas do
oficial de uma metrópole. “Temos a obrigação de levar igualdade não só para o
cidadão, mas de forma igualitária a todos os registradores civis do Brasil,
propiciando o mesmo acesso à tecnologia e à infraestrutura básica em todos os
lugares”, destacou Vendramin.
O presidente do TJPA, desembargador Roberto Gonçalves de
Moura, aplaudiu o protagonismo dos cartórios na desjudicialização e na
prestação de um serviço célere à sociedade.
“Acesso à Justiça não se resume ao acesso ao processo
judicial. Acesso à Justiça também significa encontrar respostas juridicamente
seguras, simples e próximas para as necessidades essenciais da vida civil.
Nessa perspectiva, os cartórios integram o sistema de Justiça e contribuem
diariamente para que os direitos saiam do plano abstrato e alcancem
efetivamente as pessoas”, concluiu o presidente do TJPA.
Finalizando os discursos, o presidente da Arpen-Brasil,
Devanir Garcia enfatizou a importância da realização do evento no Norte do
país.
“Realizar o CONARCI na Amazônia também é transmitir uma
mensagem muito clara: o Registro Civil precisa estar onde o cidadão está. Nos
grandes centros, nas pequenas cidades, nas comunidades ribeirinhas, nos
territórios indígenas, nos povoados e nos lugares mais distantes deste imenso
Brasil. Porque, onde houver um brasileiro sem registro, haverá uma cidadania
ainda incompleta. E talvez não exista região mais simbólica para reafirmarmos
esse compromisso do que a Amazônia. As grandes distâncias, as particularidades
geográficas e as dificuldades de acesso nos desafiam. Mas também nos mostram a
importância de um Registro Civil cada vez mais presente, moderno, integrado e
capaz de contribuir decisivamente para a redução do sub-registro civil de
nascimento. ... Porque cidadania que demora a chegar é cidadania que precisa
ser alcançada. E o Registro Civil tem justamente essa missão: fazer com que os
direitos cheguem às pessoas, inclusive àquelas que estão mais distantes e mais
vulneráveis”.
Com a cerimônia encerrada sob aplausos, o evento seguiu para
o seu ponto alto da manhã: a aguardada Palestra Magna ministrada pelo ministro
do STF, Flávio Dino, consolidando o CONARCI 2026 como um marco histórico no
reconhecimento da classe registral brasileira.
Por: Eduardo Carrasco, Assessoria de Comunicação Arpen-BR