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Registre-se Pop Rua: ação reforma combate ao sub-registro entre população de rua
O
acesso à cidadania começa por um documento civil. Por isso, a Corregedoria
Nacional de Justiça promoveu, nesta segunda-feira (27/4), o Subprograma
Registre-se PopRua. A iniciativa busca garantir a emissão de documentação civil
básica para pessoas em situação de rua. A ação ocorreu durante um mutirão no
Pavilhão do Parque da Cidade, em Brasília, em parceria com a Seção Judiciária
do Distrito Federal, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (SJDF/TRF1), e a
participação de dezenas de instituições para oferecer atendimento direto a esse
público.
Além
da emissão de documentos, a força-tarefa ofereceu, entre 8h e 16h, serviços
como atendimentos de saúde, orientação jurídica e apoio social. Ao longo do
dia, a expectativa no início da ação era atender cerca de 700 pessoas, com a
prestação de mais de 3 mil serviços. A ação está alinhada às diretrizes da
Política Nacional de Atenção à Pessoa em Situação de Rua (Resolução CNJ nº
425/2021) e representa um avanço na promoção da cidadania e no acesso a
direitos fundamentais.
“O
acesso à documentação para as pessoas em situação de rua é o resgate de um
débito que, lamentavelmente, ainda existe no Brasil. Não se trata apenas de
entregar documentos, mas de promover inserção social”, afirmou o corregedor
nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques. Também estiveram
presentes no evento a conselheira do CNJ Daiane de Lira e o conselheiro Ulisses
Rabaneda.
A
juíza auxiliar da Presidência do CNJ e coordenadora do Comitê Nacional
PopRuaJud do Poder Judiciário, Luciana Ortiz, ressaltou também a importância da
atuação em rede para enfrentar os desafios da população em situação de rua.
“Temos grandes barreiras que exigem a atuação conjunta de diversas
instituições. A identificação civil é essencial para que essas pessoas tenham
acesso a benefícios sociais e à Justiça”, disse.
De
acordo com o juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça Rodrigo
Gonçalves de Souza, a documentação é a porta de entrada para o exercício de
direitos fundamentais. “Sem documentação civil, a pessoa não tem acesso à
saúde, à educação, à moradia e sequer ao Sistema de Justiça. Por isso, o
combate ao sub-registro precisa ser estrutural e contínuo”, explicou.
Ainda
segundo o magistrado, o novo programa foi pensado para atuar de forma integrada
com os mutirões já realizados em todo o país, garantindo atendimento mais ágil,
gratuito e humanizado.
Histórias
de recomeço
Para
quem busca atendimento, o mutirão representa uma oportunidade concreta de
resolver demandas acumuladas há anos. É o caso de Ana Paula Vieira da Silva, de
50 anos, que vive em situação de rua há cinco anos e aguardava há muitos meses
por uma receita médica. “Eu não podia perder essa oportunidade. Vim a pé para
não ficar sem atendimento. Aqui eu consigo resolver algo que estava muito
difícil no dia a dia”, contou.
Ela
relatou as dificuldades enfrentadas para acessar serviços de saúde e a
importância de ações concentradas como essa. “A situação de rua é difícil e
esses serviços fazem muita diferença”, avaliou.
Histórias
como a de Igécio Soares de Sousa, de 59 anos, que saiu das ruas há poucos
meses, mostram o impacto direto da iniciativa. Após ter seus documentos
roubados, ele conseguiu emitir uma nova carteira de identidade durante o
mutirão. “Sem documento, fica difícil até acessar o dinheiro que é meu direito
no banco. Agora, com a nova identidade, vou conseguir resolver várias coisas”,
afirmou.
Atendimentos
em todo país
Além
da emissão de documentos, o mutirão oferece serviços como cadastro em programas
sociais, atendimento psicológico, vacinação, orientação previdenciária, apoio
jurídico e até atendimento veterinário para animais de pessoas em situação de
rua.
Embora
o lançamento tenha ocorrido em Brasília, a ação tem caráter nacional. Ao longo
do mês de abril, tribunais realizam mutirões semelhantes, reforçando a rede de
atendimento e ampliando o alcance das políticas públicas.
Fonte:
CNJ