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Uso de via extrajudicial evita litigância abusiva, diz juíza Daniela Madeira
Para
magistrada, embora existam demandas de massa legítimas, a complexidade
estrutural exige respostas que ultrapassem a via judicial tradicional.
Durante o II
Congresso Ibero-brasileiro de Governança Global, em Salamanca, a juíza Federal
Daniela Madeira defendeu o fortalecimento de mecanismos de conciliação e
soluções extrajudiciais como forma de combater a litigância abusiva e preservar
o acesso adequado à Justiça.
Ao abordar o tema,
a magistrada afirmou que o primeiro passo é compreender como a litigância
abusiva se manifesta dentro do sistema brasileiro e também fora do país,
permitindo um direito comparado que fortaleça a identificação desse tipo de
demanda.
Nesse contexto,
chamou atenção para a dimensão do sistema brasileiro: “Quando a gente pensa em
Brasil, a gente tem que sempre pensar que nós temos 220 milhões de brasileiros,
nós temos quase 80 milhões de processos dentro do Poder Judiciário, somos 19 mil
juízes julgando todas essas demandas”.
Para a juíza,
embora existam demandas de massa legítimas, a complexidade estrutural exige
respostas que ultrapassem a via judicial tradicional.
“Há sim demandas
de massa que entram de forma legítima dentro do Poder Judiciário, mas por
inúmeras causas, é um processo complexo, são causas complexas, então nós temos
que combater não só através da conciliação, através de outras formas
extrajudiciais de conciliações administrativas para que esses processos
realmente não cheguem ao Poder Judiciário.”
Diante disso,
defendeu a ampliação de instrumentos capazes de identificar e conter práticas
abusivas antes que se convertam em processos judiciais:
“A gente tem
várias formas de detectar essas demandas abusivas, através de sistemas, através
de cooperações institucionais com outros atores da Justiça, para inibir que
essas ações que não devam estar dentro da Justiça, porque elas têm um desvio de
finalidade, elas não entrem e sejam realmente combatidas."
Ao final, a juíza
Federal reiterou que a adoção de medidas consensuais e administrativas é
estratégica para evitar a sobrecarga do sistema e assegurar que o Judiciário
permaneça acessível às demandas que efetivamente exijam sua atuação.
Assista à
entrevista em: https://youtu.be/5T3wfLa1LJo?si=DQeLHbzRrxeyJ4ko
O evento
Entre os dias 23 e 25 de fevereiro de 2026, a cidade de Salamanca recebe
o II Congresso Ibero-brasileiro de Governança Global. Com o tema “Jurisdição e
segurança jurídica”, o encontro reúne especialistas para debater os desafios
contemporâneos da atuação jurisdicional e seus impactos na estabilidade
institucional. O evento é promovido pelo IBDL – Instituto Brasileiro de Direito
Legislativo, em parceria com a tradicional Universidade de Salamanca.
Fonte: Migalhas