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IBGE divulga estudo da família brasileira baseado em informações dos cartórios de Registro Civil

Publicado em: 29/09/2007
IBGE investigará cor do brasileiro em 2008 e pode ampliar categorias

O IBGE vai levar a campo no próximo ano uma pesquisa para investigar a cor do brasileiro. O objetivo é verificar se é necessário fazer uma revisão na metodologia a ser usada no Censo de 2010.

Segundo o instituto, o sistema de classificação pouco mudou desde 1872, época do primeiro censo do país, quando a população era dividida em quatro categorias: branca, preta, parda e cabocla. Em 1991, o sistema de classificação racial passou a ser definido pelas seguintes categorias: branca, preta, parda, amarela e indígena.

"Vamos levantar as expressões de identidade que o atual sistema não contempla. Se for necessário, vamos ampliar as categorias", disse o presidente do IBGE, Eduardo Nunes.

Os dados apresentados pelo instituto ontem mostram que as diferenças de renda e acesso à educação persistem no país. Em 2006, da parcela do 1% mais rico do país apenas 12,4% eram pretos e pardos. Já entre os 10% mais pobres, os pretos e pardos somam 73,2%.

O rendimento dos brancos em salários mínimos é quase o dobro do dos pretos e pardos. No ano passado, os brancos recebiam em média 3,4 salários mínimos e os pretos e pardos, 1,8.

Homens divorciados se casam mais que mulheres

Homens divorciados se casam mais do que as mulheres na mesma situação, segundo o IBGE. O instituto também mostra que os separados e viúvos estão "roubando" o espaço do solteiros nas uniões registradas no cartórios.

Aumentou o número de casamentos entre divorciados e mulheres solteiras -de 4,1% do total de uniões em 1995 para 6,3% em 2005. É o tipo de arranjo mais comum depois dos casamentos entre solteiros.

Também aumentou o número de divorciadas que se casam com solteiros -1,7% em 1996 para 3,1% em 2006. Os divorciados também passaram a se casar mais entre si: 2% do total de uniões registradas em 2006, contra 0,9% em 1996.

"Todos esses arranjos envolvendo divorciados avançaram sobre a forma mais comum de união, que é entre pessoas solteiras", disse Claudio Dutra Crespo, técnico do IBGE.

As uniões entre homens e mulheres solteiros são ainda majoritárias -85,9% do total de casamentos realizados em 2005, segundo a Síntese de Indicadores Sociais, do IBGE. Ano a ano, porém, o percentual cai. Era de 91,2% em 1996.

O instituto pesquisa sempre o número de uniões anuais e os arranjos-solteiros entre si etc.

Nos dois últimos anos, após longo período de queda, a taxa de casamentos voltou a crescer -ou seja, as pessoas estão se casando mais no país.

O número de casamentos a cada 1.000 pessoas subiu de 6,2% em 2004 para 6,3% em 2005. Em 2003, havia sido de 5,8%. Em 1995, ficara em 6,8%. A idade média dos homens no primeiro casamento era de 28 anos e, das mulheres, 25.

Ainda assim, os divórcios ainda crescem num ritmo mais acelerado do que os matrimônios. O total de separações aumentou 7,4%, enquanto o de casamentos subiu 3,6%.

Segundo o IBGE, a maioria dos divórcios ocorre de forma consensual. Dentre os que acabam de modo litigioso, as causas mais freqüentes são a violência e o adultério: 45% das separações foram provocadas por "conduta desonrosa" ou "grave violação do casamento" e ocorreram por pedido da mulher.

O Sudeste foi a região onde mais cresceu o número de separações (21,8%). Segundo o instituto, em 2005, a taxa de divórcios atingiu 1,3 por 1.000, o que representa uma expansão ante os últimos anos -desde 1990, ela se mantinha na faixa de 1 por 1.000.

"A violência contra a mulher é ainda um problema muito grande, que leva ao fim de muitas uniões", disse Ana Lúcia Sabóia, coordenadora da Síntese de Indicadores Sociais.

NÚMERO DE MÃES DE 15 A 17 ANOS QUE TÊM FILHOS CRESCE, DIZ IBGE

As meninas começam cada vez mais cedo a vida sexual e o resultado é o aumento do número de adolescentes de 15 a 17 anos com filhos. A proporção passou de 6,9% em 1996 para 7,6% em 2006, segundo o IBGE. Segundo Ana Lúcia Sabóia, coordenadora da pesquisa, esse dado revela que tal grupo etário vai na contramão dos demais. É que, de um modo geral, a fecundidade só faz cair no país e chegou ao nível de reposição no ano passado -2 filhos por mulher. "Acho que as meninas não estão usando corretamente os métodos contraceptivos. Falta informação. A impressão que tenho que elas tem o primeiro filho muito jovens e param", diz. Para as jovens de 18 a 24 anos, houve uma redução nos níveis de maternidade -de 38% de 1996 para 34,9% em 2006.

Chefes de família casadas são mais comuns entre pobres

Em Fortaleza, casadas eram 30,5% dos lares liderados por mulheres; no Rio, eram 17,7%

Dados do IBGE mostram que famílias também ficaram menores e cresceu o número de domicílios com apenas um morador

DA SUCURSAL DO RIO

Quanto menor a renda da região metropolitana investigada, a tendência é o aumento do contingente de lares chefiados por mulheres casadas, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE.

No Rio de Janeiro, dos lares chefiados por mulheres, em 17,7% elas eram casadas, em 2006. Em Fortaleza, chegava a 30,5%. Em Belém e Salvador, 29,8% e 29,3%, respectivamente. Em São Paulo, 24,8% das mulheres que eram referência familiar tinham marido.

Para especialistas ouvidos pela Folha, além do ganho de espaço da mulher no mercado de trabalho, o aumento do número de mulheres chefes de família reflete um processo de evolução cultural do país.

Pela metodologia do IBGE, o chefe de família é apontado pelo critério de auto-declaração.

"Há uma mudança de cultura, tem mais mulheres que chefiam famílias. A gente estava acostumado a ver mulher chefiando família quando ela não tinha cônjuge. Agora, elas chefiam mesmo estando casadas. Isso é uma evolução cultural, ao mesmo tempo que vemos o crescimento da proporção de mulheres que ganham mais do que o marido. Cresce mais a participação feminina no mercado de trabalho", avalia Ana Amélia Camarano, demógrafa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Ana Lúcia Sabóia, coordenadora da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, avalia que as mulheres avançaram em espaços no mercado de trabalho antes restritos aos homens, o que possibilitou o aumento do seu rendimento e número de domicílios chefiados por elas.

Famílias menores

Ao mesmo tempo que aumenta a chefia feminina, as famílias ficaram menores nos últimos anos e mantêm ainda a preponderância da organização clássica: casal, só pai ou só mãe com filhos.

Esse tipo de arranjo (com filhos) representava 67,6% do total em 2006 -em 1996, correspondia a 73,3%. Os lares do país abrigavam 3,6 pessoas, em média, em 1996. O número caiu para 3,2 em 2006.

O IBGE também constatou nos últimos anos a expansão do número de domicílios com apenas um morador (unipessoal), que já correspondia a 10,7% do total em 2006 -o percentual era de 8% em 1996. O incremento, afirma o instituto, reflete o crescimento da expectativa de vida do brasileiro.

Mulher chefia quase 30% dos lares do país

Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE, com dados de 2006, revela que elas lideram 29,2% dos domicílios; em 1996, eram 21,6%

Crescimento ocorre mesmo entre as mulheres casadas, passando de 2,6% para 8,3%; definição leva em consta principalmente renda

De segunda a sábado, das 7h às 20h, ela ganha a vida fazendo unhas em um pequeno salão montado na garagem de casa, na zona leste de São Paulo. À noite, cuida do marido e dos afazeres domésticos. Angela Maria Lima de Brito Oliveira, 48, está no crescente contingente de mulheres que chefiam o lar e são casadas: eram 20,7% das chefes de família em 2006, mais do que os 9,1% de 1996.

Pelos dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, quase 30% dos domicílios do país (29,2%) tinham, em 2006, mulheres à frente. O índice era menor em 1996 (21,6%).

Segundo Ana Lúcia Sabóia, coordenadora da pesquisa, a grande novidade que veio à luz nos últimos anos é o aumento de mulheres que, mesmo casadas, chefiam o domicílios. De um lado, diz, é reflexo do "empoderamento" das mulheres, que passaram a ganhar, a assumir cargos de gerência e se integrar mais ativamente na vida social. De outro, avalia, retrata também o problema do desemprego e da carência de renda dos homens.

Apesar da forte expansão nos últimos anos, a chefia feminina do lar predomina ainda em residências onde elas vivem sem o marido -79,3% em 2006, contra 91,9% em 1996.

Segundo o IBGE, o chefe de domicílio é a pessoa responsável pela família ou assim considerada pelos demais integrantes. O principal critério é a auto-declaração, baseado na renda. "Nunca parei para pensar nisso, mas, de fato, se sou eu quem ganha mais e paga a maior parte das contas, eu sou a chefe da família", diz Angela, que ainda ajuda o filho que estuda no Rio.

Ela consegue um rendimento de cerca de R$ 1.800 com a atividade de manicure e a venda de cosméticos e produtos em catálogos. O marido, o cabeleireiro aposentado Nelson Antonio de Oliveira, 74, ganha um salário mínimo e meio do INSS.

"Eu pago a luz, o telefone. Quase todas as despesas. O Nelson se aposentou em 1991, mas a aposentadoria dele veio um fracasso. Já recorremos à Justiça, mas nada. Ele trabalhou durante um tempo comigo no salão cortando cabelo, mas ficou doente e parou de vez há dois anos", conta Angela.

Dos 38,4 milhões de casais do país, o percentual de mulheres que se declaram como chefes de família é de 8,3%. Em 1996, elas não passavam de 2,6%.
Em geral, a pessoa de referência era apontada com base na maior renda e conforme a posição profissional. Nos lares chefiados por homens, 73% das mulheres ganham menos.

Segundo o IBGE, o total de mulheres que chefiavam o lar subiu de 10,3 milhões em 1996 para 18,5 milhões em 2006 -alta de 79%. Já o de homens cresceu menos -25%. Aumentou também a proporção de domicílios com mulheres com filhos e sem marido -de 15,8% em 1996 para 18,1% em 2006.

Fonte: Assessoria de Imprensa
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